Intervenções artísticas nos ônibus da cidade
28 de julho de 2014Com o fim do período de COPA e o “início real” do ano, as manifestações culturais da cidade estão começando a aparecer novamente. Em breve, mais precisamente a partir do próximo dia 29, o projeto cultural “Intervenções Urbanas em viagens suburbanas” começará a circular pela cidade até o dia 02 de agosto. Esse projeto é uma iniciativa da produtora cultural e atriz Aline Araujo usa essa opção como mais uma alternativa de formação de platéia para eventos culturais aqui na cidade de Paulo Afonso.
Esse projeto foi contemplado no edital do Calendário das Artes da Fundação Cultural do Estado da Bahia. Aline é funcionária do SESC e teve essa idéia a partir de uma inquietação do seu dia a dia nos coletivos da cidade nas idas e vindas do trabalho. Sempre que acontecia alguma manifestação cultural da empresa para a qual ela trabalha, Aline convidava os conhecidos que estavam no ônibus e sempre ouvia as desculpas de que “não tinha tempo, estava cansado, tinha muita coisa para fazer em casa...” e assim as pessoas sempre ficam naquela resistência para comparecer em determinados locais.“Eu não concordo com essa premissa porque quando você quer, você cria seu tempo. Então eu comecei a pensar: será que essas pessoas têm consciência dos bens culturais que elas não estão consumindo? Será que elas não vão porque elas não conhecem ou porque realmente estão cansadas? Partindo disso, quando abriu o edital do Calendário das Artes eu pensei: vou mexer com isso! Aí tive a idéia de levar as intervenções para dentro dos ônibus justamente para apresentar esse bem cultural para aquele publico que talvez não tenha acesso. A partir disso, vou fazer questão de apresentá-los para as pessoas que vão comigo e a partir daí, fazer uma pesquisa após para ver se de fato o motivo da ausência era a falta de tempo, ou não se mobilizavam por que não tinham acesso, e se a partir de agora, após terem o contato,se elas vão começar a ir mais para os eventos culturais da cidade...enfim!” Explica Aline de onde veio a sua inquietação.
Crédito: Divulgação
Essa estratégia de formação de público merece ser aplaudida, afinal, além de ter um caráter cultural a iniciativa tem caráter social a partir do momento que proporciona acesso gratuito aos expectadores e em um espaço que as pessoas são “obrigadas” a estar diariamente. “É muito rico oferecer esse produto de forma gratuita às pessoa aproveitando esse tempo do traslado ate sua casa/trabalho, já que a falta do mesmo é a maior alegação de todos para não comparecerem aos eventos culturais, então desta vez, não há desculpa para não assistir. Você assiste querendo ou não. E a partir daí a gente vai ver se as pessoas vão se interessar mais pelas atividades culturais, qual vai ser a reação delas...
É um trabalho artístico voltado ao social porque a gente vai estar dando acesso aos bens culturais para aquelas pessoas que costumeiramente não tem, seja por falta de tempo, conhecimento, grana... Espero que as pessoas sejam apresentadas alinguagem artística e que depois disso o nosso público de eventos culturais da cidade aumente e que possibilite mais iniciativas nesse sentido de formação de plateia, porque só quem tem a ganhar é a população da cidade.”
A idéia e produção desse projeto é de Aline, mas ela convidou a JaRô para a execução da performance artística. Segundo ela, assim que foi lançada a idéia eles abraçaram imediatamente e montaram as intervenções de acordo com o que ela já imaginava. E ao acompanhar os ensaios já tem a certeza de que será tudo exatamente como ela imaginou. Os textos e a direção são de Jackson Cavalcante com atuação de Tallita Weslayne, Carine Nóbrega e Micaelly Nascimento. É uma proposta que possibilita o máximo de interações possíveis com o público. A intervenção é dotadade muita poesia, música e teatro.
São 5 dias de intervenção itinerante que acontecerão em vários ônibus em um mesmo dia. Desde linhas que circulam pelo centro até as que vão para outros bairros mais distantes. Sorte de quem estiver em um deles e puder desfrutar desse projeto tão bem bolado.“Não faria sentido entrar em um ônibus só. O sentido é pegar a maior quantidade de publico possível. Apresentar para o máximo que a gente puder conseguir. É uma iniciativa diferente... as pessoas estão gostando e estão chegando até a mim para saber o horário das intervenções e poder pegar o ônibus!”
Aline já tem um outro projeto em mente, só que relacionado a formação de leitores. Como é uma pessoa que está nesse meio há 15 anos ela pensa em proporcionar aos artistas da cidade a possibilidade de poderem viver exclusivamente da arte. Sabe que é uma tarefa árdua e difícil, mas que é possível. “É dando acesso à uma maior quantidade de pessoas que a arte vai começar a se sustentar por si só.” Diz Aline
Por Ana Paula Araujo