Enquanto os dias são mortos
5 de junho de 2014A apresentação do espetáculo “Enquanto os dias são mortos” aconteceu hoje no auditório do Colégio Sete de Setembro às 20:30h. Com um título sugestivo, a peça aborda o tema suicídio e mostra a angustia de uma mulher, interpretada por Carolina Alexandra.
O cenário armado apara o monólogo já trazia um clima tenso com uma gaiola pequena e vários meios de suicídio como corda, revólver, sacola de remédios, facão... outros objetos também como celular e um balde. O ambiente bastante triste com a iluminação quase inexistente deu um ar meio sombrio ao cenário.
O texto de Luan Almeida traz uma realidade que está cada dia mais presente no cotidiano e a ebulição de sentimentos que oscilam bastante como alegria e tristeza, sorriso e lágrimas. Os dois extremos emocionais que se confundem constantemente na bipolaridade de um ser humano que muitas vezes não resiste e acaba cometendo alguns deslizes e chegam até a pagar o preço com a própria vida.
Questionamentos como “qual a minha função no mundo; como fico preso dentro da minha cela; resolução de problemas interiores, o que há dentro de cada um; persistir, resistir, insistir; pelo que passou e por que passou por alguma situação; se é castigo de Deus" foram bem expressados pela atriz Carolina Alexandra que era uma verdadeira explosão de sentimentos opostos. O drama de um suicida potencial é diário e muitas vezes é confundido com fraqueza, vazio, sabedoria demais ou de menos.
Ao final da peça, toda a plateia aplaudiu calorosamente de pé a atuação, o texto, a produção e tudo oq eu envolveu esse espetáculo. Em seguida a diretora Dolores Moreira abriu um espaço para que o professor Luiz fizesse uma colocação e posteriormente abriu questionamentos para o público. E esse ponto foi essencial para perceber o quanto esse tema é presente na vida de qualquer pessoa, quer haja uma identificação pessoal ou com algum caso próximo que tenha presenciado.
O poeta Fernando fez a leitura de uma poesia que abordava o suicídio como tema também e fazia um comparativo a ruas estreitas, largas, com curvas. Equiparando essas oscilações às situações do dia a dia. Vários outros depoimentos foram citados e era notória a satisfação de todos os envolvidos naquele monólogo por perceberem que conseguiram atingir o objetivo. Em um dos depoimentos a expectadora afirmou que sofre do transtorno de bipolaridade e que se sentiu incomodada com o cenário, com o tema. Mas foi até o fim e demonstrou toda a sua gratidão aos envolvidos em expor tal tema de maneira tão forte, verdadeira e profissional.
Enquanto os dias são mortos é um espetáculo que faz parte do projeto “Sala do espelho” e que tem como novidade a possibilidade de levar o espetáculo até a casa do expectador. Uma forma de buscar mais público, aguçar o senso crítico dos expectadores e envolver a comunidade em temas de grande repercussão, além de apresentações de dança, música e teatro.
Ficha técnica:
Interpretação: Carolina Alexandra;
Direção geral: Dolores Moreira;
Produção textual: Luan Almeida;
Iluminação: Mendes Iluminação
Fotografia: Lorena Garcia;
Realização: Companhia Roda da Baraúna
Por Ana Paula Araujo
Fotos: Klycinha Nascimento